sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Acidentalmente Ilegalizado [ 2013 ]





O período era de excepção e exigia medidas extraordinárias. Num ápice, registaram-se centenas de pacientes nas unidades sanitárias locais, cujos diagnósticos médicos confirmavam o que todos temiam.  A noticia foi proclamada aos 7 ventos, o distrito encontrava-se em polvorosa , ânimos exaltados por parte dos administradores e nervos a flor da pele do lado dos administrados,  os jornalistas locais, de forma sensacionalista e pouco ortodoxa, decidiram lançar uma campanha de investigação, com o intuito de descobrir o foco da epidemia e consequentemente responsabilizar os rostos por detrás da crise, usurpando deste modo, as incumbências das autoridades policias locais que detinham o  poder legítimo de decretar investigações do gênero.

16 de Maio de 1993 , para Dona Fátima , esta data, era bastante significante, marcava o início da feira municipal , realizada anualmente no mercado informal , no qual ela detinha uma pequena barraca , por onde comercializava os seus produtos artesanais onde o destaque recaia para a sua famosa bebida fermentada denominada eufemisticamente de “Don-Tuali”.  Dona Fátima , acordou bem disposta nessa manhã chuvosa de Maio, muito cedo mal acabara de despertar-se por completo,  arregaçou às mangas e deitou mão ao trabalho, para que tudo saísse de perfeição na feira municipal, pois sabia ela muito bem, que estas datas especiais traziam lucros avultados , pela imensidão de consumidores que ocorriam ao local para saborear e refrescarem-se com o aclamado “Don-Tuali” da Dona Fátima.

4 horas antes do arranque da feira municipal, o organizador da feira municipal e responsável pelo mercado informal, tratado carinhosamente por “Ti-Sebas”, fora convocado pelos administradores locais. A investigação levada a cabo pelos jornalistas, sobre as origem da epidemia, havia sido concluída e os resultados eram catastróficos, relativamente a realização da feira municipal.  “Ti-Sebas” , Sebastião Malaqueta, subscreveu o convite e deslocou-se para a sede da administração local , onde era aguardado impacientemente , por uma comissão , criada ad-hoc , constituída por jornalistas, policias e autoridades sanitárias.  O período era de excepção e exigia-se medidas extraordinárias, logo, os protocolos e vênias habituais foram dispensados e passou-se a palavra ao porta-voz da comissão, para ler em alto e bom tom os resultados da investigação.

Sebastião Malaqueta , não queria acreditar no que acabara de ouvir por parte do porta-voz da comissão e o mesmo consagrava o seguinte “…Excelência Senhor Administrador , Ilustre Capitão da Polícia , Digníssimo Director do Posto de Saúde e Saudosos Jornalistas , depois de uma semana de esforços tremendos por parte da nossa equipa de jornalista, que de forma célere, rigorosa e profissional não mediu esforços para descobrir as verdadeiras causas da epidemia que tem vindo a arrasar a nossa comunidade, concluímos; que o fosso do vírus por detrás da epidemia, têm sido a barraca da Dona Fátima, no mercado informal, através do seu reputado produto “Don-Tuali” e como forma de preservar e garantir a saúde pública da nossa comunidade, viemos por meio deste comunicado, decretar o seguinte: a partir desta data, 16 de Maio de 1993, é expressamente proibida e venda e distribuição do produto “Don-Tuali” dentro da nossa circunscrição administrativa, os escriturários dactilógrafos da administração já se encontram neste momento a redigir o despacho que posteriormente será assinado pelo senhor administrador, que consagra coimas e multas pesadas para todo o cidadão que infringir esta disposição normativa…”  Fim do comunicado.

“Ti-Sebas” , retirou-se da reunião, perplexo e incrédulo, não compreendia o facto de um produto secular e histórico como o “Don-Tuali”  passar agora ao estado de produto ilegal, o que acabaria com o sucesso da feira municipal e subsequentemente abalaria a condição económica da Dona Fátima.  “Ti-Sebas” , dirigiu-se a residência da Dona Fátima , onde de forma aparatosa se preparavam cerca de 250 litros de “Don-Tuali” que seriam comercializados na feira municipal, para comunicar-lhe o infortúnio.  A noticia foi deveras devastadora para Dona Fátima, num misto de tristeza e desespero, deu por si banhada em lagrimas e perguntando de forma histérica, o que seria de sua vida agora, com a publicação daquele despacho administrativo que proibia a venda do “Don-Tuali” em todo o distrito. 

“Ti-Sebas”, consolou-a e confidenciou-lhe o seu desacordo pleno com o referido despacho, “Ti-Sebas” , arguia, dizendo que era extremamente injusto, que se ilegalizasse apenas o “Don-Tuali” quando por sua vez,  às outras bebidas ainda mais corrosivas e nefastas para a Saúde Pública circulariam sem impedimentos por todo o distrito. Para “Ti-Sebas” , Dona Fátima era um alvo fácil e vulnerável e fora utilizada como bode expiatório numa investigação demérita sem qualquer critério de rigor, acreditava ele , que muitas dessas regras que circulavam pela comunidade não eram expressão da moral da povo muito menos um fruto da manifestação espiritual e cultural do povo do distrito, mas antes, um conjunto de cartilhas que expressavam um manancial de interesses de um grupo bem identificados de administradores, policias e jornalistas , dai o facto dos seus estabelecimentos onde também são comercializados bebidas psicotrópicas não serem afectados por este despacho administrativo.

Inconformado pelo previsível fracasso da feira municipal, “Ti-Sebas” , sugeriu a Dona Fátima que acatasse inicialmente o despacho como forma de sossegar a comissão de inquérito e que logo em seguida, pensaria numa forma de ludibriar as proibições plasmadas no despacho administrativo.  Como se previa, a feira foi um fracasso sem a presença especial do “Don-Tuali” foram muitas as vozes que ecoaram no recinto da feira, contra aquela medida administrativa que alteraria toda a realidade sociológica da região. Volvidos 5 meses, a epidemia continuava a dizimar a comunidade, apesar do encerramento da barraca da Dona Fátima, e, apesar dos factos as autoridades administrativas se mostravam relutantes e obstinadas em revogar o despacho.

Foi neste contexto, que “Ti-Sebas” , desolado com a condição lamentável da Dona Fátima, que havia passado do céu para o inferno com a ilegalização dos seu produto, sugeriu a Dona Fátima que operasse algumas alterações no seu produto, como forma de dar volta ao despacho. Primeiro, teria de alterar a receita, ao invés dos habituais 7 kilogramas de açucar castanho, passaria agora a optar por 4 kilogramas de açucar azul, outra alteração teria a ver com a água usada no processo, em vez das normais 21 jarras de água do rio, optaria agora por usar apenas 2 litros de água mineral para suavizar o paladar, a última e mais importante alteração tinha a ver com o nome do produto, para ludibriar as autoridades de fiscalização, era necessário que o produto passasse de “Don-Tuali” para “Kissangua De Laranja”.

Dona Fátima, homologou às ideias do “Ti-Sebas”, e depois de algum tempo de trabalho, tinha o novo produto acabado “Kissangua De Laranja”, que na verdade, na sua substância e substrato era o “Don-Tuali” com um novo revestimento para ludibriar aquele despacho administrativo. Numa fase experimental, Dona Fátima, decidiu que não daria a cara por esse produto para não chamar a atenção dos fiscais, policias e jornalistas, decidiu então , delegar o negócio para a sua filha, e segundo informações dos vizinhos, a bebida foi recebida com muita azáfama no mercado informal, a procura foi tanta que suplantou a oferta o que obrigou ao dobro da produção. “Ti-Sebas”, apercebeu-se logo que aquele sucesso seria comprometedor e que cedo as autoridades se aperceberiam dos verdadeiros produtores da “Kissangua De Laranja” com isto, sugeriu a Dona Fátima, que optasse por um circuito mais fechado e limitado em detrimento de um circuito mais aberto de vendas, neste caso, ela a filha e o “Ti-Sebas” , formariam uma pequena organização secreta, denominada “EOY” o acrónimo de Efeni Oikunua Yetu, que comercializaria a “Kissangua De Laranja” através de pequenos revendedores, em locais específicos e longe dos olhares indiscretos dos jornalistas, fiscais e policias.

16 De Maio de 2003, 10 anos depois, a “Kissangua De Laranja” continua a gerar lucros para a “EOY”, e continuam a ser comercializada em circuito fechado, os consumidores passaram das centenas aos milhares,  apenas os consumidores mais assíduos têm acesso aos pequenos revendedores que a comercializam em pequenas doses de 300 e 600 milímetros respectivamente. Hoje, o distrito da “Mahaca” é procurado por dezenas de indivíduos com interesses em provar e até mesmo sobredimensionar e internacionalizar a “Kissangua De Laranja” da “La Familia”, que na verdade, não passava do reputado “Don-Tuali” da Dona Fátima, que foi ACIDENTALMENTE ILEGAZIADO por uma exame superficial de uma comissão que na busca de repostas políticas rápidas para os seus superiores hierárquicos, malharam na vítima mais vulnerável do distrito.

Moral da História: Mais educação e menos Repressão…

                                                                 Mardilénio Hifewa [ Soba L ]

Xangongo, aos 04 de Janeiro de 2012


Brevemente o Livro  – Sorrisos  Imperfeitos  - , Já em fase terminal

 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Notas Soltas


    Trabalhando na minha primeira obra literária, a mesma já se encontra em fase terminal, sem precisar datas, mais alguns fevereiros e teremos a obra completa...
     Contos, Crónicas e Ensaios, com o mesmo DNA do blog, vários temas inéditos e alguns já conhecidos pela grande maioria leitora do blog...
     Pretendo, que a mesma circule apenas num circuito fechado, tenho um público alvo, os meus manos da via, amigos e colegas, logo, serão poucos exemplares, pré-destinados ao meu pessoal, porque será uma edição de autor, com recursos próprios sem editoras nem distribuidoras...
 
      Como disse o Vokábulo num registo com o APC e Sacik Brow "Eu não sou da onde vim, sou do tamanho do que procuro/o sonho não tem metas e o céu é só um palpite/ e espero que Deus me guie até ao limite/"...
 
     Mardilénio Hifewa [ Soba L ]
     xangongo , 08 - 11 - 012...

domingo, 7 de outubro de 2012

Férias / 2012

                                                       










segunda-feira, 16 de julho de 2012

O Passaporte Biológico.



Deslocar-se é uma virtude. Ás viagens alargam o nosso horizonte , apartir delas , abdicamos da perspectiva vertical da vida e adoptamos um prisma horizontal , adquirido graças a partilha de informações e emoções.

Foi neste contexto que o jovem Hélio Almeida , decidiu ,  procurar ,  pelos serviços de migração e estrangeiro , com o intuito de requer a emissão de um passaporte , para materializar  o seu sonho , o de tornar-se em um viajante emérito e descobrir os quatro cantos da sua região.

Hélio Almeida , deslocou-se ao edifício que alberga os serviços de migração e estrangeiro , e ao chegar ,  deparou-se com uma enorme azáfama , era tal a enchente e a movimentação de pessoas e bens ,  que Hélio Almeida por instantes pensou em declinar a sua pretensão.

O edifício que domiciliava os serviços de migração e estrangeiro , localizava-se na zona oeste da pacata cidade de Omufilu. Era um serviço relativamente novo na localidade , institucionalizado no âmbito da estabilidade política que se vivia na região , a mercê do fim do conflito militar , o que influiu na extinção dos postos de controlo e fronteiras , permitindo a circulação incondicional e inter-regional de pessoas e bens.

O edifício ,  apresentava uma arquitectura moderna  com traços orientais. Dividia-se  em vários compartimentos úteis , entre os quais uma recepção com atendimento personalizado , uma ampla sala de reuniões , um refeitório condigno que servia aos funcionários e uma pequena biblioteca anexa à sala de espera dos utentes.

A demanda começa muito cedo. Logo pela manhã , formavam-se filas de espera  de pessoas que pretendia adquirir o passaporte , para finalmente deslocar-se ao encontro de seus ente-queridos que outrora foram barricados doutro lado das fronteiras por questões políticas.

Outros  ainda , como Hélio Almeida , pretendia apenas adquirir o passaporte , para deslocarem-se à outras localidades da região ,  para explora-las culturalmente.  Hélio Almeida , com os seus 24 anos , era um jovem bastante impaciente e tinha algumas dificuldades em aguentar-se em pé , nas longíssimas filas de espera para o atendimento ao público.

Para entreter à espera , Hélio Almeida , decidiu , deslocar-se à biblioteca do edifício , que ficava a dois passos da sala de espera onde se formavam as longas filas de espera.  Hélio Almeida , não tinha o hábito de leitura , apesar de pertencer a uma família com alguma pujança económica na localidade , jamais fora um leitor assíduo.

Os seus progenitores ,  eram detentores de uma pequena fortuna fortuita , adquirida nas circunstâncias da guerra ,  seu pai fora ajudante de motorista numa fazenda de um reputado senhor colonial.  No período de transição política , ele , o pai de Hélio Almeida , herdara uma pequena camioneta de seu antigo patrão , que posteriormente transformou-se no meio de transporte por excelência de todos aqueles que quisessem desloca-se de Omufilu para outras localidades da região.

Havia em Omufilu , outras camionetas que transportavam pessoas e bens , todavia , a camioneta do senhor Leonel Almeida , pai de Hélio Almeida , gozava de imunidades nos postos de controle , graças a reputação de seu antigo patrão ,  esse facto ,  agradava os seus passageiros , pois viam-se livres de uma inquisição burocrática por parte dos agentes de autoridade que fiscalizavam as estradas e caminhos.  

Leonel Almeida , era um senhor bastante pragmático , com uma visão matemática e mercantilista da vida , para ele , tudo se resumia à negócios e contas , fora essa a educação que dera aos seus 8 filhos , nunca lera um livro , detinha um vocabulário prático e elementar e bastava-lhe os anos de experiência e os conhecimentos que adquirira do senso comum , que ele chamava de sabedoria popular.  

Com este pano de fundo , Hélio Almeida nunca se tivera interessado por livros , abandonou a escola muito cedo e dedicou-se a trabalhar com o pai e  pretendia agora ,  alargar a sua independência financeira , explorando culturalmente às outras localidades da região ,  para futuros negócios.

Foi o seu primeiro contacto com uma biblioteca.  A biblioteca do edifício dos serviços de migração e estrangeiro , encontrava-se confinada a um espaço de sensivelmente 6 metros quadrados , continha 3 prateleiras devidamente preenchidas por literatura diversa , prosa e poesia e algumas mesas com cadeiras confortantes para leitura. Hélio Almeida ,  depois de alguma observação aos livros , escolheu o que mais lhe parecia interessante com gravuras na capa e um título deveras sugestivo « A Nossa Região »

Assim de forma inconsciente , Hélio Almeida foi explorando o livro e ficou perplexo com a pertinência do conteúdo do mesmo. Hélio Almeida , não sabia que nós os humanos  não escolhemos os livros são os livros que nos escolhem.  Foi explorando a obra e depois de algumas horas de leitura , já de forma consciente foi absorvendo o conteúdo da mesma.

Hélio Almeida , surpreendeu-se pela positiva de tal forma , que se esquecera de reintegrar-se na fila de espera para o atendimento para requisição do passaporte e deu por ele a ser convidado à abandonar o edifico , pois se esgotara o tempo de atendimento ao público.

A obra  « A Nossa Região » fora escrita por um ex-colono , agrónomo de profissão , que tivera feito um períplo por toda às regiões que circundavam a localidade de Omufilu , descrevendo-as culturalmente de forma muito elevada e profunda.  Dividia-se em vários capítulos , repartidos por 3 volumes e já se encontrava na sua 5ª edição.  

No dia seguinte , pasme-se , Hélio Almeida , foi o primeiro da fila de espera , muito antes da abertura do edifício , ali encontrava-se Hélio Almeida , ávido de continuar a sua prospeção no livro « A Nossa Região » esquecendo-se completamente da pretensão de requerer a emissão do seu passaporte.

Hélio Almeida , que ate à data , não lera obra nenhuma , simplesmente devorou os 3 volumes  da obra do agrónomo Baltazar Caetano « A Nossa Região »  foram dias à fio de muito leitura na biblioteca dos serviços de migração e estrangeiro.

Volvidos alguns dias , Hélio Almeida , recolhera do livro , todo o manancial de informações de que necessitava para conhecer culturalmente às localidades da sua região , adquiriu da obra , informações privilegiadas , sobre quais às zonas por explorar e prosperar por toda a região ,  e de forma meio instintiva , Hélio Almeida , conclui , que a obra « A Nossa Região » era o passaporte de que realmente necessitava.

Deste modo , 17 dias depois , Hélio Almeida despedia-se da biblioteca do edifício dos serviços de migração e estrangeiro , convicto de adquirira o seu verdadeiro passaporte biológico.

O livro é um passaporte biológico , com ele , extinguimos às distancias e alcançamos uma sabedoria milenar.  Os livros são extremamentes ricos , a sua fortuna , chama-se: Lucidez.

Mardilénio Hifewa ( Soba L )
Xangongo , 2012

sábado, 23 de junho de 2012

Negra Drama




Oh minha Cota África Subsariana…

Tas na eminência de completar 60 anos.  60 anos desde a data em que foste emancipada pelos teus irmãos Nkruman e Nherere.
60 anos minha Cota.  Namoraste com tanta gente , sonhaste sempre com mansões mas acabavas sempre  em pensões , tantas desilusões amorosas , nunca soubeste aproveitar e valorizar essa sua beleza genuína e natural.

Lembro-me das juras de amor que trocaste com aqueles senhores franceses François Mitterrand  e Valéry Giscard d'Estaing , eles roubaram-te o coração e devolveram todo partido.  Lembro-me ainda dos seus noivados falhados com os britânicos Harold Wilson  e James Callaghan  ,  Ignoraste os conselhos dos teus primos Cabral e Machel.

Desesperada , depois de tanta desilusão vi-te entregar-se de forma incondicional ao espanhol Luis Carrero Blanco que também fez jus ao seu triste karma e abandonou-te em plena lua de mel na Guine-Equatorial.
Negra drama , no meio de tanto drama cultivaste uma grande virtude , a excelente capacidade de transformar às adversidades em habilidades.

Com tantas experiências , te sentias mais madura e segura ,  e decidiste voltar a tentar um enlace , desta , um enlace bígamo com os belgas Théodore Lefèvre e Jean Van Houtte.  Relação essa dominada mais uma vez por conflitos de ordem patrimonial por teres decidido casares em regime de comunhão de adquiridos , os Belgas aproveitaram-se da sua ingenuidade e arruinaram-te a fortuna acumulada depois de tantos anos de estrada.
Relutante como és , te deixaste levar novamente pelos olhos azuis dos holandeses Willem Drees e Louis Beel , passados poucos meses do teu divórcio pacífico com os portugueses Marcelo Caetano e Salazar.

Oh minha Cota África Subsariana , 60 anos , vejo-te triste melancólica e depressiva , como foste capaz de confiar outra vez nas juras de amor desses senhores imperialistas , tive um aperto no coração ,  quando na semana passada vi-te sentada num restaurante à beira-mar , jantando com o brasileiro Lula Da Silva , o Chinês Hu Jintão e o Indiano A. P. J. Abdul Kalam , tantos anos de aprendizagem deitados por água abaixo.

Não sei o que o futuro te reserva , mas eu te garanto , de que se continuares nesta senda , eu , seu bisneto querido , hei de negar o teu nome três vezes.


Soba L [ Mardilénio Hifewa ]
xangongo , 2012.


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A Globalização de Sofia Maharero



Hafeni e Pombili, são 2 jovens, afro-kwayamas, residentes no sul de Angola, algures numa localidade, denominada ovambolándia. Hafeni de 19 anos de idade, é filho de Lucas pohamba, regedor de ovambolándia, e de Felícia Hidinua Pohamba, parteira tradicional.

Hafeni, Foi sempre um jovem exemplar. Responsável, digno dos títulos que ostentava na aldeia. Era o sucessor directo, do seu progenitor Lucas pohamba, no exercício de funções na regedoria local.

Alto e esbelto, com uma robustez física acima da média, Hafeni era um jovem credenciado, fruto do seu talento nato e singular de pastoria. Conseguia sempre, sobrepor- se aos empecilhos da floresta, conduzindo o seu rebanho a bom porto, levando-os ás zonas verdejantes em tempos de estiagem, e confinando-os ás planícies e savanas em tempos de cheias e inundações.

Hafeni, detinha ainda, o título de um caçador perspicaz e mordaz, na seleção das suas presas,fazendo da sua azagaia, uma verdadeira arma letal.


Noutro lado do panorama, na mesma região, vivia o jovem Pombili. De 18 anos de idade, protagonista de uma história, diametralmente oposta á de Hafeni.

Pombili, era filho de Elias katuka, catequista, e Venância Wedeinge Katuka. Pombili, foi produto de um lar mono-parental, pelo facto de seu progenitor Elias katuka, ter emigrado para a republica vizinha da Namíbia, a procura do paraíso perdido, quando este tinha apenas 3 anos de idade.

Pombili, desprovido de um suporte paternal, que o viabilizasse na aprendisagem de alguns dos ofícios que marcavam o quotidiano de ovambolándia, descobriu desde muito cedo, que tinha de aperfeiçoar outras habilidades para fazer frente a essas fragilidades.

Pombili, esmeirou e abssolveu, essas novas habilidades, tornando-se num jovem empreendendor, sonhador, virtuoso e libertino. Relegando os ofícios da caça, pesca e pastoria para o segundo plano.

Corria no DNA de Pombili, a costelinha nómada, que adquiriu, nos contos que ouvira, na tenra idade, se sua mãe, sobre ás aventuras de seu pai Elias katuka, na republica vizinha da Namíbia.

De estatura baixa, e atleticamente débil, Pombili, era um jovem extravagante, e exibia-se sempre com penteados afros e vestuários excêntricos.

Depois de 4 anos volvidos em ovambolándia, Pombili, com 22 anos, conseguiu finalmente, obter o título de melhor comerciante de ovambolándia, fruto da fluidez de seus negócios, nos seus dois estabelecimentos. “ Denga Enota e Ilamo Shiveli “, onde eram comercialiazados, bebidas caseiras fermentadas, como o Macau e o Mbike, assim como outros produtos artesanais, manufacturados alí na zona.

O crescimento vertiginoso dos seus negócios, obrigou Pombili, a visitas constantes aos serviços de regedoria local, para a resolução de alguns tramites legais, referentes ao pagamento de impostos e consequente obtenção de autorizações para ás compras e vendas.

Foi numa dessas consultas, que Pombili conheceu Hafeni. Filho e sucessor do então regedor Lucas pohamba. Hafeni com 23 anos, já detinha influência nos serviços da regedoria, exercendo mesmo pequenas funções.

De forma involuntária e expontanea, nascera dali, uma forte e leal amizade. Pombili via em Hafeni, o complemento necessário para o seu sucesso no comércio.

Foi nesta lógica de ideias, que Pombili decidira, lançar uma proposta de parceria á Hafeni, segundo a qual, Hafeni passaria a ser um fornecedor oficial de matérias primas, que advinham das suas actividades de pastoria e caça, assim como o exercício de algum tráfico de influência, na resolução dos tramites legais, nos serviços da regedoria.

Hafeni, subscreveu e aceitou o pedido de cooperação, pedindo em troca, que Pombili, o facultasse algumas pequenas aulas, que o ajudassem a esmeirar a linguagem e o vestuário. Pois Pombili era perito na matéria, experiência essa, que adquiriu das fotografias e contos que recebia sempre das aventuras migratórias de seu progenior, Elias katuka.

A parceria funcionou, o negócio foi fluindo, Pombili já não deparava-se com dificuldades nos procedimentos da regedoria, o seu estabelecimento, encontrava-se a rebentar pelas costuras de tantos produtos, pois tinha um novo fornecedor, que era simplesmente, o melhor caçador e pastor de ovambolándia.

Hafeni por sua vez, já apresentava-se com penteados excêntricos e vestuário extravagantes, absolvendo na íntegra, os novos hábitos, costumes e usos, que lhe eram transmitidos pelo seu sócio e professor Pombili.

Entretanto, a absolvição desses novos costumes, extras comunitários, influíram e condicionaram significativamente, as outras actividades de Hafeni. Hafeni, foi empobrecendo o seu lado espiritual e instintivo, e enriquecendo o seu lado material e mercantilista. Com o decorrer do tempo, Hafeni, perdeu as suas habilidades singulares de caçador mordaz e pastor zeloso, tudo em troca de um sonho extra-comunitário, que pombili o instigara.

Até que um dia, num sábado, de tarde, com o céu nublado e temperatura amena, ovambolándia, recebe uma nova residente. A jovem Sofia Maharero, de 21 anos de idade, detentora de uma beleza singular, prepotente e arrogante.

Os rumores sobre a chegada, da jovem Sofia maharero na localidade, não se fizeram esperar, e a notícia era proclamada aos 7 ventos por toda a ovambolándia. Segundo os mais informados, Sofia maharero, era uma viajante emérita, filha de pais abastados, comerciantes locais. Erudita e poligolota, falando fluentemente o Herero, Damara, Português e Alemão.
Tendo apenas dificuldades, em fluir na língua local, o kwanyama. sobre a mesma, sabia apenas o básico.


A disputa, pela conquista, do coração da jovem Sofia maharero, não se fez esperar, centenas de jovens e adultos, pré-candidataram-se ao cargo afectivo. Dentre os vários candidatos, Hafeni e Pombili, eram os melhores posicionados, fruto dos títulos que ostentavam na localidade, de jovens empreendedores, influentes e visionários.

Para mal dos pecados, de Hafeni e Pombili, a jovem Sofia maharero, não compreendia a língua local, e o primeiro encontro que se afigurava memorável e magnífico, transformou-se num autêntico desastre.

Sofia maharero, enxovalhou e humilhou os dois jovens pretendentes, pois segundo palavras da jovem Sofia, transmitidas por um dos seus criados. Não os queria conhecer, por ausência de curiosidade, e que raramente estabelecia contactos de amizades, com jovens selvagens, que mal falavam português. Pois Sofia, arguiu que sendo ela uma jovem elitista, apenas envolvia-se com jovens modernos e urbanos, que tinham alguma noção sobre televisão, telefone e automóveis.

A humilhação e desprezo, que Sofia maharero, protagonizara, foi a gota de agua, que fez transbordar o copo, sobre um antigo e secreto plano de Pombili, o de seguir as impressões digitais de seu progenitor e efectuar a migração.

Mas por sua vez, Pombili, não pretendia aventurar-se para muito longe, e decidiu, que iria apenas, até a tão aclamada, vila de ondjiva. Depois de muita ponderação e reflexão, apresentou , o seu plano ao seu sócio Hafeni, que encontrava-se, bastante traumatizado, com a experiência que tivera com a jovem Sofia maharero.

Hafeni, que ate a data, ostentara o título, de futuro regedor, caçador irreverente e pastor brilhante, via-se de repente, rotulado, de selvagem e indígena, por uma tal de Sofia, que não sabia metade da missa sobre a sua estatura e dimensão em ovambolándia.

Foi nesta lógica de ideias e prioridades, que num ápice, mais uma vez, Hafeni, decidiu subscrever e aceitar o plano migratório de seu sócio PombilI. Decidindo assim, colocar uma pedra, sobre uma história brilhante de 23 anos em ovambolándia, lançando-se numa aventura sem precedentes na família Pohamba.

Hafeni e Pombili, dilaceraram e alienaram os seus patrimónios, e sem conhecimento nem consentimento dos anciões, lançaram-se a descoberta da tão aventuranda vila de ondjiva. Caminharam durante dias á fio, enfrentando perigos iminentes, chuvas torrenciais e invadidos por um pressagio, que afigurava-se glorioso e triunfante, o de chegar, ver e vencer na vila de ondjiva, e mais tarde voltarem a terra natal, personificados e urbanos, para vingarem Sofia e limparem os seus nomes.

Depois de 5 dias de uma longa e cansativa caminhada, os dois jovens peregrinos, entre o pressagio de um futuro glorioso e a nostalgia de um passado estável. Hafeni e Pombili, encontravam-se, a escassos metros da entrada da vila de ondjiva.

Pombili, sempre vituoso e libertino, tinha o plano muito bem projectado, que decidira, que ambos, deviam trocar os seus nomes, por outros, mais condizentes com a nova realidade que enfrentariam. Assim, depois de alguma conversa, Pombili passou a chamar-se Mauro, e Hafeni passou a chamar-se Bruno.

Mauro e Bruno, entravam finalmente na vila de ondjiva. E perceberam logo, que a mudança de nomenclatura não seria o suficiente, para passarem despercibidos nesta urbe metropolitana. A vida na vila de ondjiva, era substancialmente diferente, daquela que visionaram, em seus sonhos migratórios.

Ondjiva era uma vila agitada, caótica, insípida e incolor, com vários sobressaltos, habitada por seres padronizados e mecanizados, destituídos de compaixão, solidariedade e paciência para compreender o diferente.

Mauro e Bruno, sem possibilidades de comunicação, pela incapacidade de fluírem na língua portuguesa, encontravam-se perdidos e desesperados, no meio de uma selva urbana com flores de betão, vivendo um autêntico melodrama.

Dois jovens, que no passado, nas vestes, de Hafeni e Pombili, eram aclamados, idolatrados e endeusados em ovambolandia. Encontravam-se agora no meio da vila de ondjiva, com um presente amargo, sem perspectivas e esperança. O conhecimento que Mauro tinha sobre os contos migratórios de seu progenitor Elias katuka, descobriu então, que não passavam de contos fictícios e ilusionistas, destituídos de realidade práctica.

Entre edifícios e automóveis, entre brancos e novos negros, Mauro e Bruno, mendigavam para a sua subsistência, elaborando trabalhos precários e humilhantes, para a obtenção de moedas e lugares para pernoitarem e protegerem-se das tempestades de areia noturnas, que se faziam sentir nos subúrbios da vila de ondjiva.

Bruno pensou, em aplicar os seus dotes de caçador para conseguir alguns mantimentos para subsistir, mas fora informado, que tal práctica nessa vila, era considerada proibida e ilegal.

Enquanto decorria a aventura nos lados da vila de ondjiva, doutro lado do asfalto, a localidade de ovambolándia, encontrava-se agitada e em apoteose, pelas recentes informações que corriam, segundo a qual, Hafeni e Pombili, teriam abandonado a região, em busca de um sonho branco nas urbes metropolitanas.

Os familiares e amigos, dos dois jovens, estavam perplexos, incrédulos e estupefactos. Pois Hafeni e Pombili, eram os dois bastiões insubstituíveis da região. Os anciões, reuniram-se em concelho de família, e depois de correr muita tinta, Hafeni e Pombili, foram sentenciados, ao tÍtulo de persona non gratas, perdendo todos os estatutos e direitos, por parte das autoridades e população de ovambolándia.

Noutro panorama, Mauro e Bruno, a viverem um drama romano e uma tragédia grega, sentiam-se complementamente perdidos e desolados. Sem identidades nem personalidades, pois apesar das metamorfoses nos nomes, aspecto, hábitos e costumes, para agradar os seus novos compatriotas, continuavam a não pertencer aquele local, e o enquadramento afigurava-se cada vez mais difícil.

7 anos se passaram, Mauro e Bruno, com 30 e 29 anos de idade respectivamente, continuavam a viver a margem da opus dei da vila de ondjiva, foram segregados e marginalizados pelos habitantes locais, pois para eles, não passavam de dois jovens selvagens e gentios.
Mauro e Bruno, estavam perante novos negros, que habitavam a vila de ondjiva, com hábitos e costumes ocidentais, que rejeitam o tradicional e africano.



Mauro, era um adulto introspectivo e reservado, com um bom senso sempre acima da média. Decidindo, assumir perante o seu sócio, o fracasso total da missão que haviam projectado, Mauro achava, que ara altura de deitar a toalha ao chão, e pensar numa forma de regresso a terra natal.

Bruno, resignado e frustrado, pois foi dele o plano de migração, apresentou algumas reticências e resistências á proposta de regresso de Mauro. Mas logo ponderou as questões que estavam em jogo, e decidiu que era o melhor caminho a seguir.

Ainda assim, Bruno, pensou numa forma, se salvar a honra do convento, confidenciando a Mauro, o seu novo plano, segundo o qual, teriam de adquirir alguns produtos dos mercados locais, com o objectivo de chegar a terra natal, com melhor aspecto, assim como ocultar o fracasso da aventura, chegando a terra com contos e histórias de triunfos e glórias durante a estadia, na vila de ondjiva. Mauro, aceitou o plano sem oposição, pois o que queria, era mesmo regressar a casa.

Bruno e Mauro, lançaram-se a caminhada de regresso, e durante a sua viagem de regresso, ambos divagavam, sobre qual personalidade optariam, para esta nova fase de vida. Manterem-se Mauro e Bruno, ou regressar as vestes de Hafeni e Pombili. A incógnita era tal, que ficaram-se pelo meio termo, optando pela simbiose, Mauro hafeni e Bruno pombili.

Depois de uma longa caminhada, os dois jovens peregrinos, sentiam-se bastante cansados, pois a resistência física já não era a mesma dos tempos, ambos traziam nos rostos e nos corpos as marcas dos duros golpes da vida na vila de ondjiva, Bruno pombili tornara-se alcoólatra e Mauro hafeni um viciado em cigarros.

Mauro hafeni e Bruno pombili, ao chegarem em ovambolandia, não foram recebidos, com pompas e circunstâncias, mas antes, com desprezo e desconfiança. O Status quo em ovambolándia, nestes últimos anos, havia mudado completamente, em todos aspectos.
Lucas pohamba já não era o regedor, fora substituído pelo filho do seu velho opositor, o ancião Moises inakonasha. A mãe de Bruno pombili, encontrava-se velha e reformada, acolhida, nos seus aposentos domésticos.

Os seus lugares, os seus estatutos, haviam sido ocupados por outros jovens da região, que agora tinham a mesma dimensão e estatura social, que antes Mauro Hafeni e Bruno Pombili, ostentavam.

O jovem Kapedi, era agora o mais proeminente dos caçadores e pastores. No comercio local, o expoente máximo, era agora, o jovem Kwafeni, que dissolveu os dois estabelicementos antigos de Bruno Pombili, abrindo um único estabelicimento comercial, denominado “No shimona shilopota”.

Mauro hafeni e Bruno pombili, ignorados e marginalizados na vila de ondjiva, rejeitados e estigmatizados na sua terra natal, aperceberam-se finalmente, que já não pertenciam a nenhum lugar. Perderam as identidades e personalidades, transformaram-se em seres vazios e fúteis, prezos numa perspectiva de vida parcial e superficial.

Com contos e historias falsas, da sua aventura na vila de ondjiva, Bruno Pombili,conseguiu iludir e enganar outros jovens, que tinham o mesmo projecto de vida, jovens esses que a procura da glória metropolitana,trilharam a mesma aventura, obtendo todos eles os mesmos resultados de Mauro hafeni e Bruno pombili.

Esta é a historia dos efeitos nefastos da GLOBALIZAÇÃO NAS COMUNIDADES COLONIZADAS AFRICANAS . A procura de novas identidades, milhares de jovens, lançam-se á aventura da migração e emigração, em busca do paraíso perdido. Movido por um complexo de inferioridade dos povos colonizados, e por um eurotropismo acentuado. Milhares de Jovens, acabam por perderem as suas personalidades e impressões digitais, e nunca mas voltam a encontrar-se em termos espirituais, perseguidos sempre pela pergunta que nunca se cala: Quem eu sou ?

Existem várias histórias de sucessos evidentes, nessas aventuras migratórias. Mas na sua maioria absoluta, são histórias de fracassos e desilusões.



Mardilénio Hifewa (Lenny - Soba L)
Autor - Geração De Ouro do Xangongo.

Geração da Utopia.




Somos uma geração, sem propósitos nem lugares. Nao vivemos o drama da libertação nacional, nem a guerra civil atroz, que martirizou Angola, durante duas décadas. A nossa luta de libertação nacional chama-se globalização e a nossa guerra civil chama-se capitalismo.

Nós somos a Geração da utopia, que Pepetela escreveu. Uma geração que não aprendeu na escola e no lar, o preço da liberdade, o quanto custa fazer uma bandeira.

Não tivemos o contacto, com os contos de liberdade a volta da fogueira, temos apenas e somente, contos a volta de lareiras modernas, que nos transmitem sonhos ocidentais.

11 de Novembro e 4 de Feveriro. Datas de diversões e festividades, que simbolizam o preço da liberdade. Entretanto, essas diversões e festividades, perderam o efeito útil necessário, de serem, uma correia de transmissão, a nova geraçãoo, do quão difícil foi o preço da liberdade, de quão difícil custa fazer uma Bandeira.

11 de Novembro e 4 de Fevereiro. Devem ser datas de reflexão, ponderação e introspeção. Reflexão, para recordar os protagonistas acérrimos da nossa luta de libertacao nacional. Ponderação para perspectivar com bom senso e razoabilidade, os resultados práticos de 4 décadas de independência nacional. Analisar e estudar os nossos níveis de independência nos diversos sectores sociais ( independência económica, cultural e politica ).

Somos uma geração sem sentido de Estado, nem fervor patriótico. Aprendemos desde muito cedo que o homen foi a Lua, e esquecemo-nos de estudar a história da nossa Terra. Não estudamos Viriato da cruz nem ilídio machado, não estudamos Samora Machel nem Amílcar Cabral.

Priorizamos o estudo das aventuras caninas e selvagens de Diogo Cão, e as peripécias folclóricas de Paulo dias de Novais. Nós precisamos antes, aprender e estudar os manifestos de Tobias Hainyeco e as teses de Mandume.

O afro-optimismo de Kwame Nkrumah e os discuros negros de Cheik Anta Diop e Aime Cesar. Nós precisamos antes, estudar e aprender a poesia de militância de Agostinho Neto, ás notas musicais de Rui mingas.

É preciso, reformular-se, a concepção actual, das celebrações do 4 de Fevereiro e 11 de novembro. É preciso não ter-mos memória curta, e recordar que foram vidas perdidas e sangue derramado. De Heróis de verdade, que não se calaram e escreveram sobre rochas, com azagaias, flechas e catanas, o nome de Angola, como uma Nação livre e independente.


É preciso saber o que custou a Liberdade!
É preciso saber como se faz uma Bandeira!


Dr. Mardilénio Hifewa
Geração de Ouro de 1985
Xangongo - Kunene